Estou há uma semana no hotel, pretensamente descansando, mas estudando pra valer nos
três cursos a distância que estou fazendo.
Todas as leituras que fiz e estou fazendo me levaram a algumas conclusões:
1. Quando eu escrevo, sempre escrevo para outras pessoas. Portanto, minha escrita
precisa ser clara e concisa, para que possa ser bem entendida por quem vai ler. Isso
eu já percebi quando escrevi sobre a vida de minha mãe. Para mim, tudo estava
absolutamente claro. Mas várias perguntas me foram encaminhadas por aqueles que
leram, pedindo esclarecimentos. Isso me levou a pensar quanto sofrem os alunos,
quando recebem de volta um texto todo rabiscado pelo professor, pois para ele – o
aluno, está tudo claro, e penso que ele não consiga entender como o professor pode
achar erros em sua obra-prima.
2. Os professores de português só deveriam ensinar o aluno a ler, interpretar e escrever.
Aliás, esse seria o conteúdo de português para os alunos das séries iniciais do Ensino
Fundamental. Outros conteúdos (história, geografia, ciências...) só deveriam ser
usados como textos-base para o estudo de português (interpretar, reescrever, dar
outro formato...). E nas séries finais (6º ao 9º ano), os professores de português
poderiam utilizar mais uma vez os textos de outras disciplinas para fazer a mesma
coisa: analisar, ensinar gramática e trabalhar com o texto. Oh! Como seria bom. Mas
alguns professores que conheço teriam um parto se tivessem que usar um texto que
não sabem de cor de tantas vezes que trabalharam com ele. Ah! O bendito (?) diário
do ano passado! Mas de repente penso que ainda é possível.
3. A avaliação: o que mesmo ela significa? Avaliar = atribuir valor. Isso no senso comum.
Porque na educação, avaliar significa descobrir como anda o entendimento do aluno.
Acabei de assistir um vídeo em que o palestrante compara uma avaliação escolar
com o cozimento do macarrão. Você ferve a água, coloca nela o macarrão e, depois
de alguns minutos de fervura, vai verificar se está cozido. Para quê? Só para saber se
cozinhou devidamente? Não. Não é só para SABER, mas para prosseguir no preparo.
Nesse caso, se não estiver bem cozido é necessário deixar em fervura mais um pouco
para então escorrer e temperar. Assim é na avaliação escolar. As provas e outros
instrumentos não devem servir apenas para atribuir nota, mas para saber se continua
ou não com o conteúdo em pauta. Como seria bom se todos enfim entendessem isso.
E também, se entendessem que, se o aluno sabe ler e interpretar, ele não precisa
guardar na memória todo o conteúdo, que sempre estará registrado em algum lugar.
Ele só precisa ser provocado, incentivado a buscar, a pesquisar. Assim, passaríamos
do “ensinar, revisar e fazer prova” para o “pesquisar e apresentar o resultado em
forma de produção própria”. Quanto nossa educação poderia ser melhor!
4. Desculpem o desabafo! É que quase não nos encontramos para debater tais assuntos.
Sempre reclamei disso nos encontros de pedagogas. Vamos para lá debater o que o
NRE acha que precisamos, e não o que está nos angustiando. Aliás, o NRE nos trata
como tratamos os alunos: ELES SABEM do que precisamos!
Quanta arrogância!
Abraço
Clenilda
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